quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Goké, Body Snatcher from Hell - 1968


Pródigo em bons filmes na linha do terror e do cinema fantástico, esta é uma das produções mais curiosas vindas de lá dos anos 60. Uma forte influência da obra do mestre de terror italiano Mário Bava é evidente mais uma vez , como já podia ser percebida em outro filme que havia comentado anteriormente “The Living Skeleton”, igualmente nipônico. Lembremos que Quentin Tarantino fez questão de homenagear o filme em “Kill Bill” nas sequências iniciais, e segundo ele, é o melhor filme de terror já realizado no Japão. Exageros à parte trata-se realmente de um filme que não deixa o espectador indiferente pelas nuances e sugestões. O diretor Hajume Sato, com poucos recursos e efeitos especiais simples, mas eficazes, soube criar uma atmosfera surreal e angustiante. Um voo rotineiro se transforma numa tragédia a partir do momento que a tripulação recebe a informação que pode haver uma bomba a bordo. Começa a busca frenética pelo terrorista suicida, mas inesperadamente surge um assassino que manda que o avião desvie da rota. E se não bastassem tanta confusão, uma luz misteriosa nos céus confunde os pilotos e o avião é obrigado a fazer um pouso forçado em uma região inóspita e desconhecida. Sim, a trama nesse momento lembra o seriado americano de grande sucesso “Lost”. Os sobreviventes, isolados em um local desconhecido e tem agora que enfrentarem uma força misteriosa. Uma a um eles vão sendo transformados em vampiros por uma entidade alienígena. Citei a influência de Mário Bava e é evidente que o filme presta tributo ao clássico “O Planeta dos Vampiros”, que, aliás, era estrelado pela brasileira Norma Benguell. O pessimismo apocalíptico é o mesmo de outros clássicos da ficção daquele período como “Invasion of Body Sntacher “ de Don Siegel, “Planeta dos Macacos”, entre outros. O título inglês associa claramente o filme à citada obra de Don Siegel, inclusive. Os filmes americanos de invasões de seres espaciais a partir da década de80 e 90, sempre finalizavam com um tom otimista – os humanos derrotando as forças alienígenas -, beirando às vezes a patriotada descabelada e debilóide como em “Independece Day”. Tim Burton parodiaria estes filmes em “Marte Ataca”. Nos anos 60 não havia tanto otimismo na humanidade: os aliens invadem o planeta porque os humanos são uma ameaça universal e precisam ser aniquilados. E o filme termina de maneira assustadora e desesperançada: o casal sobrevivente escapa, mas descobre que tudo ao redor já foi destruído e estão sós no mundo. A dica é que existe o filme completo no You Tube, com legendas em inglês, a qualidade é mediana, mas quebra o galho.

Um comentário:

human being disse...

Entro nod blogs e comento, último, pois cansei de ler por aqui.
Não sou a expert em filme japonês, mas esse foge mesmo do que andou rolando por aín e caiu no ridículo que é explorar cabelo comprido de fantasma mulher.