sexta-feira, 26 de abril de 2013

Schamlos - 1968

Uma raríssima exploitation vinda da Áustria pelas mãos de Eddy Saller  diretor falecido em 2003 que deixou  uma obra pequena de 5 filmes apenas. Se não foi extensa nem por isso foi menos importante, além de ter nadado contra a corrente cinematográfica que imperava no país, os dramas agridoces e românticos (tipo “Sissi”, por exemplo) -, chocou pela violência, realismo e erotismo.   E seria o guru de alguns diretores como Klaus Lemke e Eckhart Scmidt, entre outros poucos. Existe hoje em Viena um Instituto Schamlos , que realizada festivais e exibições de filmes alternativos. Claro que a obra dessa turma passa ao largo do cinema alemão que ficou conhecido em todo o mundo: Wenders, Fassbinder e Herzog à frente, todos influenciados pela nouvelle-vague.  Seller pregava um cinema anti-intelectual, antes de tudo. No elenco um rosto conhecido: Udo Kier, de trajetória gloriosa no cinema europeu e mundial, aqui fazendo sua estreia. Mas quem brilha é a gata Marina Paal, sexy , amoral e perigosa.  Incrivelmente só atuou em dois  filmes e desapareceu sem deixar vestígios. Ela  é  Annabelle, uma stripper que não tem escrúpulos em trabalhar como prostituta e se deixar vender para mafiosos.  Acalenta um sonho: se tornar estrela de cinema, mas não consegue muito mais do que atuar em filmes pornográficos feitos para chantagear velhos tarados. O gigolô e amante é Pohlman (Udo Kier), um gangster medíocre, evadido de um circo onde era atirador de facas, que vive de oferecer “proteção “ a comerciantes, e quando leva cano não hesita em usar da violência mais sádica e alucinada possível. Os letreiros iniciais informam – com alguma ironia  -, que gangsteres reais trabalharam no filme. É  um detalhe que ressalta o aspecto quase de documentário do filme.  O pano de fundo onde estes seres marginais se movem é uma Viena imaginária habitada por gangsteres gays, drogas, rock, strippers, putas e bares enfumaçados onde artistas do movimento Aktionist encenam performances selvagens.  Um retrato da contracultura vienense nos anos 60. Os atos impuros e escusos da bela Annebelle acabam resultando em seu assassinato. O pai, um italiano, contrata Pohlman para caçar o suspeito do crime, um ator decadente, gay e drogado, que foi considerado inocente pela polícia e solto. Direção nervosa e febril, com influências de Lang e Fuller. Do primeiro ela é evidente nas sequências do julgamento  que remetem ao clássico ” M - O Vampiro de Dusseldorf”; do segundo a violência estilizada. “Sem Vergonha” é o título do filme, numa tradução literal. A trilha sonora fantástica de Gerhard Heinz é dado que não pode deixar de ser citado. O filme só foi reeditado em DVD há pouco tempo na Europa e deu as caras nos sites de compartilhamento, felizmente.

linK:

http://wipfilms.net/surreal-movies-collection/shameless/

Um comentário:

Fernando Terroso disse...

Parece interessante e ainda em preto e branco, show !