segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Morbus - 1983

Outra contribuição espanhola ao gênero de zumbis. Mas não é só: trata-se de um delírio estapafúrdio que nosso Ivan Cardoso, caso fosse espanhol, teria assinado com prazer, pois mais que um filme de terror puro estamos diante de um “terrir”. Humor e terror, e muito, muito sexo. Disse espanhol, mas para ser mais exato deveria dizer que a origem do filme é catalã. Não é de modo algum um filme para ser levado muito a sério. A narrativa é desconjuntada, titubeante, as interpretações são bisonhas em sua maior parte: suspeito que os zumbis estivessem participando da produção. No elenco nenhuma cara muito conhecida. Mas a estrela do filme, Carla Dey, teve alguma notoriedade na década de 80 em filmes eróticos. Retirou-se do cinema pouco depois desse filme e a última notícia da bela é que estava vendendo material farmacêutico. Para o deleite dos tarados ela passa boa parte do filme nua. Espanha e Brasil guardam algumas semelhanças cinematográficas. Ambos viveram um longo período sob ditaduras, no caso do país europeu até mais longa, e quase ao mesmo tempo se livraram delas com reflexos no cinema. Em 1976 Franco finalmente foi fazer companhia ao diabo e o país pode respirar ares melhores. A censura lá como cá era pesada, mas os militares permitiam obras eróticas; na Espanha o chamado “destape’, comédias inócuas, com alguma nudez, como a nossa pornochanchada. O fim da censura na Espanha permitiu que finalmente obras controvertidas fossem exibidas no país, exatamente o que ocorreria no Brasil igualmente. Para classificar esses filmes foi criada a classificação S” para filmes de terror, erotismo e políticos: “S” pela temática e conteúdo que poderiam ferir a sensibilidade do espectador , rezava a cartilha da censura. Ela acabaria se revelando uma maneira dos cineastas promoverem seus filmes na busca de atrair público. Qualquer filme era tachado como “S” e, por conseguinte, o público afluía na esperança de ver sexo e nudez. Mas da mesma maneira que a Boca do Lixo entrou em decadência a partir dos anos 80, com a liberação dos filmes pornográficos, este tipo de cinema “S” definharia com a invasão dos pornôs hardcore e a criação da classificação “X”. O filme que comento foi uma das últimas tentativas de apelar para a classificação “S”. Os diretores que não aderiram ao pornográfico resolveram mesclar o erótico a outros gêneros, caso, por exemplo, do terror, numa tentativa de sobrevida. Ainda comentando o paralelo entre este cinema “S” e a Boca do Lixo lembremos que as condições de produção eram semelhantes: filmagens rápidas, erotismo softcore, atores semidesconhecidos e precariedade. Daí que o filme aqui dirigido pelo diretor catalão Ignasi P. Ferré tenha essas características e lembre bastante nossas produções da Riua do triunfo. Curiosamente o roteiro levou a assinatura de um nome futuramente ilustre: Isabel Caitxe, hoje diretora premiada e de sólida carreira internacional.
Voltando ao diretor a biografia dele assinala que foi assistente de nomes como Antonioni, Tinto Brass e Marco Bellochio. É nesse contexto de decadência que surge este filme híbrido e bizarro. Um farmacêutico e cientista, meio maluco, inventa um soro que faz reviver os mortos e cria uma horda de zumbis. Corte para um trio de prostitutas, uma delas Anna (Carla Dey), ávida leitora, e que sonha em ser escritora, que é convidada juntamente com as amigas para um programa que parecia trivial. O cliente, um senhor esquisito leva as meninas para um bosque e pede apenas que elas leiam para ele a história de Branca de Neve. Sim, é isso mesmo que você, leitor, está lendo. O idílio de contos de fadas, porém, é interrompido por um ataque de zumbis e só nossa heroína sobrevive saindo em fuga (nua )desabalada pelo bosque, até cair desmaiada e acordar em um quarto desconhecido. Sorte dela que a casa pertencia a um antigo amante e que se revela um escritor de romances de terror, que, no entanto não acredita na história dela sobre ter sido atacada por zumbis. A ação salta, sem muita lógica, para uma seita satânica que se reúne em uma casa também no mesmo bosque. A cerimônia desanda para uma suruba que é interrompida por um ataque de zumbis. Os sobreviventes desse massacre acabam se refugiando na casa do escritor, que enfim, acredita que os zumbis existem. Qual a conclusão dessa zarzuela de zumbi doido ? Claro que não é uma obra prima, apenas um divertimento que o espectador que aprecie as tranqueiras vai ,com certeza adicionar , à coleção. Anexo um link : http://www.filecrop.com/Morbus-1983.html

Um comentário:

Guilherme von Ancken disse...

Olá meu amigo. Baixei o filme no link que você disponibilizou, porém está pedindo senha. Você sabe qual é? Obrigado.