quinta-feira, 26 de abril de 2012

La Sorcière - 1956

Já comentei aqui motivos pelos quais muitas vezes busco um filme. Uma atriz bonita é um motivo razoável e forte, por exemplo.Marina Vlady é uma dessas:uma atriz capaz de iluminar qualquer filme. Vou até rever um Godard onde ela atuou. Godard podia ser meio mala às vezes, mas sabia que um filme sem mulher bonita não funcionava e por mais chato que fosse o assunto do filme sempre colocava uma bela mulher em cena. Malandro ele. Nem vi muitos filmes com esta francesa de origem russa e que atua desde os anos 50. Mas dia desses vi um bom filme italiano – “La Raggazza in Vetrina”- estrelado por ela e tive a curiosidade em conhecer mais a sua filmografia. Minha intenção era até no fim das contas comentar o filme, aliás, e ainda o farei, pois é bem legal , inclusive, teve uma mão de Pasolini no roteiro e direção coube a Luciano Emer. Mas deixemo-lo para depois e voltemos ao filme motivo da resenha. Película que ,no caso , me chamou a atenção na filmografia da atriz, pelo tema – paganismo versus cristianismo em um universo rural - e resolvi procurá-lo. Logo me frustrei: o filme não tinha no cinemageddon, porto seguro de filmes raros, e até achei uma cópia no You Tube. Maravilha, mas quando fui checar descobri que era uma cópia falada em alguma língua eslava e sem legendas. Danado, não? E o óbvio eu não havia tentado: procurar pelo google. E não é que tinha um torrent com seeds no Pirate Bay? Enfim a feiticeira difícil me chegava às mãos. Falado em sueco, mas legendado em inglês e sabe-se lá por que em russo em determinadas cenas, nada que atrapalhasse. A produção é franco-sueca, daí a cópia nessa situação. Existe em DVD na civilização e, provavelmente ,em cópia perfeita e falado em francês.Ainda consigo-a. O diretor André Michel só dirigiu dois longas para o cinema, o resto da carreira na TV. Curioso considerando-se a modernidade do filme e a boa mão que demonstra na mise-en-scène . O cinema francês pré nouvelle-vague costumava ser dominado pela pompa, a afetação, com as exceções clássicas de Robert Bresson e Renoir, entre outros que não me ocorrem agora.
Não é o caso aqui, felizmente.No mesmo ano desse filme era lançado para o mundo Brigite Bardot em “E Deus Criou a Mulher “ de Roger Vadim. Vlady ,já estava na estrada há algum tempo, mas tentaram torná-la outra BB,o que ela não engoliu. Mas voltemos ao meu filme onde ela, deslumbrante e mais bela do que nunca, é Ina: ninfa, bruxa, deusa dos bosques ou uma simples camponesa?Adaptado de um romance do russo Alexander Kuprin, escritor de escassa repercussão em Pindorama. Maurice Ronet, ainda um ator emergente, no papel de um jovem engenheiro civil que é designado para um trabalho nos cafundós da Suécia. Uma aldeia primitiva isolada, de religiosidade quase pagã e marcada pela superstição .Depois de se perder na floresta, cair em um poço de areia movediça, é salvo por uma velha, tida pelos aldeões como bruxa e que vivia isolada com a neta Ina. Pagãs, incultas, e rejeitadas ambas. Para eles, a moça era a filha do diabo e teria poderes malignos. O cristianismo brutal e medieval contra os resquícios do paganismo. O engenheiro se enamora da jovem e procura ensinar-lhe os mistérios e maravilhas da civilização moderna. No entanto a rejeição dos moradores ao relacionamento é dura e leva à tragédia previsível.O filme sugere que a jovem bruxa teria realmente alguns poderes mágicos o que torna ainda mais interessante o contexto da trama. O mito cinematográfico da bela selvagem , que geraria até uma sub-gênero B, pode ser entrevisto aqui. A beleza da fotografia, a atmosfera nórdica quase onírica das paisagens selvagens empresta ao filme um sabor de lenda romântica e uma aura mítica. Suponho que André Michel buscou inspiração nos filmes da primeira fase de Bergman - nos anos 50 - e, talvez pelo fato de ser uma adaptação de uma obra russa, há algo também de eslavo que emana das imagens. Em suma: um filme mais nórdico e eslavo que francês, no fim das contas. O filme obteve o Urso de Prata no festival de Berlim.

3 comentários:

Tomás disse...

Não sabia dessa sua paixão pelo cinema também, Fernando. Muito bem escrito o texto! Tomás

raphalv disse...

Opa, mais uma dica forte! Sobre filmes com beldades descobri a Gillian Hills assistindo à um faroeste spaghetti conhece algum filme dela, existem dois de terror que quero ver: Demons of the min 1972 e The killer wore gloves 1975. quero compartilhar contigo esse link: http://scalisto.blogspot.com.br/ abraço!

fernando fonseca disse...

Oi Raphav, sim tenho estes dois e um até está na minha lista pra comentar um desses citados ou o "Beat Girl", que gosto muito. Um abraço