terça-feira, 10 de maio de 2016

E.T.A. Hoffmanns Der Sandmann -1993

Um filme alemão digno de nota e bem distante do cinema de arte praticado á epoca no país pelos famosos Herzog, Wenders e Fassbinder entre outros. Trata-se da terceira adaptação para as telas do seminal conto de E T A Hoffmann e que chegou, inclusive, a merecer  um estupendo ensaio de Sigmund Freud já no séc. XX.
 Eckhart Schmidt é um diretor nao muito badalado e de extensa filmografia com nada mais nada menos  que 106 filmes no currículo: é verdade que boa parte deles trata-se de documentários e trabalhos para a TV. No entanto a filmografia para o écran guarda obras significativas no universo da exploitation europeia tais como "Der Fan" e "Alpha City" entre outros.
Em linhas gerais a narrativa de Schmidt respeita a narrativa do conto original com ligeiras variações. Um jovem perambula  pelas ruas de uma cidade mediterrânea italiana em companhia da namorada  e fica obcecado pela visão de uma mulher de aparência diáfana  e sedutora, que por azar e acaso  parece ser filha de um homem que lembra o amigo do pai morto num incêndio, e que ele julga ser o responsável por essa morte.
O filme  é um crossover de romantismo gótico, horror, art-house tipicamente europeu , ficção cientifica e romantismo com fortes toques de erotismo. Quase anacrônico e nostálgico soando como um filme dos anos 60 ou 70. O filme pode ser baixado com legendas em inglês no blog:http://rarelust.com/e-t-a-hoffmanns-der-sandmann-1993/

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Reformatório das Depravadas - 1978

Não faz muito tempo uma associação de críticos de cinema nacional divulgou uma lista dos 100 melhores filmes nacionais de todos os tempos. Minha relação com listas é ambígua: em algumas encontrei dicas memoráveis de obras que não conhecia, em outras vi apenas a acumulação de nomes óbvios referendando o já gasto, trivial e batido . A lista me surpreendeu por vários motivos: em primeiro lugar nem imaginava que ainda existissem tantos críticos de cinema no país em atividade -onde exercem é um mistério, diga-se de passagem -, outro motivo de espanto foi a lista em si  que achei absolutamente  irrelevante e irritante tanto por alguns filmes incluídos e, principalmente, pelas ausências, algumas óbvias para mim. O tema mereceria um longo debate. No Facebook muitas vozes se levantaram contra a lista apontando os problemas, eu mesmo dei uns pitacos. Mas , francamente, não julgava que ela fosse ser diferente.  Um dos nomes , inúmeras ausências na lista foi Ody Fraga. Revendo neste fim de semana o ótimo documentário sobre a Boca dirigido por Daniel Camargo, "Boca do Livo- a Bollywood Brasileira", fiquei feliz por vê-lo lembrado. Seria um espanto, claro, se isso nao ocorresse num documentário sobre a  cinematografia da Rua do Triunfo, tendo em vista as importância do catarinense para o extraordinário fenômeno que foi a Boca do Lixo.É provável que Ody tenha sido o sujeito mais intelectualizado e inteligente ali, e vários que o conheceram concordam com o papel de inteligência que ele exerceu enquanto crítico, roteirista e diretor.  Falecido em 1987, deixou uma penca de ótimos filmes que revelaram sua personalidade aguda, criativa e original fruto de muitas leituras(era um leitor voraz). A carreira como diretor teve inicio em 1967 e se estenderia até 1986. O filme que relembro se não é sua obra-prima (gosto muito de" Fêmea do Mar" e "Palácio de Vênus")é um dos mais interessantes. Duas estrelas da Boca apareciam aqui: Nicole Puzzi,ainda assinando apenas Nicole, e Patricia Scalvi, e so por isso o filme já mereceria uma lembrança. Mas ele tem outros méritos. A sequência inicial é de tirar o fôlego jogando o espectador numa universo de violência e repressão: um grupo de jovens arrasta uma mulher para um porão e a estupram. A coitada era a cão de guarda  do reformatório para mocinhas desequilibradas e perversas , as tais depravadas  do título. A proprietária ? uma alemã de passado nazista que não hesitava em chamar  assistentes do antigo exército do reich para torturar alunas rebeldes. Estamos pois em WIP puro, digno de ombrear com qualquer exemplar europeu: mulheres bonitas seminuas, sacanagens, violência, amor e dor. Para pontuar as cenas diálogos marotos e inteligentes que só Ody sabia fazer ali na Boca. Achei que o final desandou um pouco, talvez por problemas de orçamento, mas o resultado final vale a conferida. O filme felizmente está disponível no YouTube. Boa diversão.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Traitement de choc - 1973

o cinema de terror francês é hype,está na moda. Confesso que não vi muitos desses novos  exemplares: ao que tudo indica pendem pro gore e para a violência extrema em detrimento da sutileza e da sugestão, e isso não me agrada. Na década de 70 o cinema gaulês tinha perdido a corrida no cinema de gênero para os prolíficos italianos, e para os espanhóis. Um ou outro filme ganhou algum destaque, e este foi um deles. Vai muito além de um mero filme de terror e tangencia a ficção científica. No elenco dois nomes de primeiro plano no cinema francês e europeu: Alain Delon, então com 45 anos , e Annie Girardot. Para os voyeurs  ambos nos brindam com cenas de nudez sugestivas  numa sequência famosa, e que talvez tenha garantido a sobrevivência dele nesses anos todos. Alain Jessua, é hoje um diretor meio esquecido, uma pena porque deixou bons filmes além deste que relembro. A carreira foi curta: apenas 10 filmes. Uma executiva da industria de moda  , Hélene (Girardot) é  abandonada  pelo namorado, trocada por uma mais mulher mais nova,  e cai em depressão. Ao saber da existência de uma clinica que garantia um tratamento miraculoso para o envelhecimento nao perde tempo e vai até lá e se interna. O diretor da clínica é o charmoso Dr. Devilers( Alain Delon)e o tratamento utiliza sangue de animais  . No entanto ela não vai demorar a perceber que algo não está "nos conformes" na clínica e irá se deparar com um segredo pavoroso. Uma crítica social: a clínica é um microcosmo da sociedade francesa com todos os seus representantes. O filme é  mais que um terror com toques de ficção cientifica, uma  sátira quase surrealista à burguesia fútil francesa dos pós guerra, bem típica dos anos 70 . Quase desnecessário dizer que ela continua atualíssima,e serve também para a nossa e todas as classes médias desse mundo atual. O americano "Soylent Green" trata quase da mesma temática e coincidentemente foi realizado  no mesmo ano. A sequência inicial é curiosa para nós brasileiros porque todos os diálogos estão  em português e ela é embalada por uma canção também em português. Por um momento pensamos que estamos assistindo ao filme errado. O filme pode ser baixado no blog: http://rarelust.com/shock-treatment-1973/

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Body Fever- 1969

Ray Dennis Steckler é um dos diretores mais interessantes do maravilhoso universo do filme B. Faleceu em 2009 depois de uma longa carreira de muitos filmes. Este que relembro não está entre os mais conhecido de sua carreira, mas é sem duvida dos melhores e creio que agradaria a qualquer cinéfilo. Foi a unica experiencia de Ray no universo do filme noir. Aqui e ali Ray insere homenagens a  Bogart, curiosamente uma delas até parece uma brincadeira com "Acossado" de Godard. O próprio diretor interpreta o herói  Charlie Smith, um detetive mixuruca e duro que recebe a incumbência de encontratar uma mulher  que se vestia como uma espécie de Mulher Gato que havia cometido um roubo  de um pacote miloionario de heroina . A mocinha é interpretada por Carolyn Brant ,na época musa de Ray. A trilha sonora  a cargo de Andre Drummer é muito boa, e outro destaque são os diálogos  irônicos e bem humorados.  Coleman Francis, uma das lendas do filme ultra B, faz uma ponta  especial: reza a lenda que após ter finalizado o filme Ray o encontrou nas ruas  mendigando . Convidou-o então a atuar e filmou algumas cenas especialmente para ele.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

The Clonus Horror - 1979

Filme B que estava escondido em um dos meus HDs completamente esquecido e so me veio à lembrança quando li  uma entrevista de Pete Tombs, o fundador da Mondo Macabro, e ele assinalou que o filme foi um dos maiores fracassos da sua distribuidora. Aliás, já está fora de catálogo o DVD. E posso dizer que é uma pena, pois  se trata de um filme peculiar e inteligente. Foi o único filme dirigido por Robert S. Piveson. No elenco somente dois atores vagamente conhecidos: Dick Sargent, que foi um dos maridos na série A Feiticeira, e Peter Graves. 
Num local isolado e aparentemente idílico vive um grupo de jovens, homens e mulheres.  A vida deles parece a melhor possível: apenas praticam esportes e se divertem , todos sonham com o dia em que poderão se mudar para a América. Logo se revela que as moças e rapazes ali não passam de clones criados com algum proposito obscuro. Um dos clones percebe que não vive nos melhor dos mundos quando acha no leito de um riacho uma lata de cerveja o que desperta sua curiosidade. Daí em diante ele não cessa de ir fuçando aqui e ali ate descobrir que por trás do suposto paraíso encontra-se um inferno horripilante. A fuga para o mundo exterior, a América, se revela outro pesadelo.

A trama soa familiar? Ora, pois em 2005 a Dreamworks produziu “A Ilha” com Scarlett Johanssen e Ewan McGregor, e não demorou a ficar claro que “The Clonus Horror” fora clonado descaradamente.  Uma ação se seguiu e a Disney (proprietária da Dreamworks) pagou um valor não revelado aos  produtores.Cumpre lembrar ainda que alguns anos antes o filme obtivera relativa notoriedade ao ser  exibido no programa americano de TV “Mystery Science Theater “especializado em achincalhar supostos filmes ruins.  O filme pode ser conferido no site: http://rarelust.com/the-clonus-horror-1979/

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Girls on the Loose - 1958

Ah, o charme irresistível do cinema B americano dos anos 50! Aqui neste pequeno e obscuro filme o espectador pode se deparar com algumas das qualidades e também defeitos da escola que virou ate um gênero(?). Uma surpresa é a assinatura da direção: Paul Heinred, ator de algum renome nos anos 30 e 40, que teve papel de destaque em “Casablanca” só para citar um bem manjado. A novíssima geração com certeza não lembra mais dele. Sempre fazia papel de mocinho bom, papeis românticos, tinha aquela carinha limpa, topetinho louro, enfim o típico bom rapaz americano de família.  Nem era americano de nascimento, diga-se de passagem, mas austríaco e veio pra América na mesma leva que trouxe dezenas de outros nomes fugidos das guerras e do nazismo. Virou diretor de filmes B meio por falta de opção, pois foi um dos perseguidos pela caça Macarthista que mandou para o limbo os simpatizantes do comunismo. No cinema dirigiu poucos filmes e todos eles Bs, mas na TV dezenas de episódios de diversas séries clássicas inclusive para “Alfred Hitchcock presents”. O filme que relembro ,inédito em DVD infelizmente, segue a cartilha clássica de um grande golpe. O fato que chama atenção é que o grupo de bandidos que comete o crime é composto apenas por mulheres. E moças violentas, como fica demonstrada pela sequência inicial do assalto. A líder da gang é Vera, interpretada por Mara Corday, aqui em de seus raros papeis de destaque . Uma bela mulher, bastante interessante- com um quê de Ava Gardner- mas que nunca alcançou destaque e se limitou atuar em filmes B como este. Aqui como a fria e sanguinária líder, que durante as noites “normais” é uma respeitável dona de uma casa noturna ela consegue se sobressair tanto pela beleza fria quanto pelo estilo. A irmã caçula de Vera é cantora da boate e cai de amores justamente pelo detetive encarregado de investigar o caso. Como em um bom filme B quase toda ação gira em torno do nightclub. O bando de gatas bravas não demora a se engalfinhar movido pela cobiça e o clímax até violento de certo modo leva ao moralista e trivial "crime não compensa" . Mas até isso acontecer as moças se divertem principalmente Vera, que além de violenta e inteligente é uma predadora sexual. Se o filme não chega a ser um clássico consegue se sobressair da rotina graças aos elementos pré-exploitation tais como  a sensualidade  e a violência, e justifica a lembrança.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Raw Force - 1982

Uma boa noticia no ano que passou foi, enfim, o lançamento de uma edição decente de “Raw Force”, também conhecido pelo título de “Kung Fu Cannibals”. Até então só tínhamos acesso a uma versão ruim ripada de algum VHS. Infelizmente pouco provável que a edição seja lançada por aqui. A dica é que o piratebay já tem essa nova versão em imagem impecável. Enfim podemos ver em todo o seu esplendor essa tranqueira filipina, um dos exemplares top da insana exploitation local que começou nos 60 e se estendeu ate o inicio dos anos 80. Como complemento seria legal, para entender o contexto do filme, assistir o sensacional documentário “Machete Maiden Unleshead” que traça um perfil bem amplo dessa cena. O diretor Edward Murphy que já atuou em “Os Bons Companheiros” de Scorsese, é também roteirista do filme, só iria dirigir outro filme em 1985, absolutamente esquecido. Mas com este aqui garantiu lugar no panteão dos diretores de um dos filmes mais esdrúxulos e divertidos da história do cinema. O grande Cameron Mitchell encabeça o elenco composto por nomes desconhecidos e obscuros, mas  Camille Keaton, estrela de “I Spit in Your grave” e Vic Diaz(o Wilson Grey  filipino), fazem pequenas pontas. Quem ama o gênero exploitation já deve estar a par do filme e então a sinopse é desnecessária, mas para aqueles que ,por azar ,ainda não sabiam dele ai vai: um grupo de estudantes de artes marciais em férias fica perdido no oceano e o barco onde estão acaba indo parar numa ilha. O local é, na verdade, o covil de uma quadrilha comandada por um sujeito com cara de Hitler e que comanda um exercito de monges canibais. Um mix pra lá de maluco de filme de kung fu, comédia e terror, mistureba essa que esteve muito em voga em Hong Kong na década de 80, e daria ecos ate entre nós com “Kung Fu contra as bonecas” de Adriano Stuart. Clones de Bruce Lee aos montes, (d)efeitos especiais, lindas mulheres que tiram a roupa por qualquer motivo, zumbis  lutadores de kung fu, monges canibais, cientistas malucos nazistas e muito mais num mesmo filme. Obviamente a coerência não é o forte do filme. Mas o que importa: o espectador se diverte muito.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

The rats are coming ! The werewolves are here ! - 1972

Já faz alguns anos resenhei neste espaço um filme do diretor Andy Milligan, “The Body Beneath”.   Neste fim de semana acabei me decidindo a encarar este que estava  na fila há algum tempo. Claro que já vi outros filmes do diretor nesses últimos anos. Posso dizer que ele é um dos cineastas do universo exploitation que mais me fascinam.
Andy Milligan é odiado por boa parte de quem se deu ao trabalho de ver algum de seus filmes. Basta ler as resenhas de espectadores no IMDB e praticamente todas classificam este filme como uma merda completa. Stephen King classificou um dos seus filmes como a obra de um retardado segurando uma câmera. Os cânones de bom gosto são todos quebrados: atores ruins e amadores, fotografia tosca, a falta de recursos saltando em cada plano, enfim amadorismo total.  Só mesmo lunáticos podem aprecia-lo em toda a sua grandeza, grupo no qual me incluo.  Um aspecto é inegável: ele foi um autor completo, escrevia, produzia, fotograva e criava os figurinos. Indo contra toda essa rejeição por parte do  mundo cinéfilo que preza a arte e até dos que  apreciam o universo exploitation, foi lançada uma biografia de Milligan: “The Ghastly One” escrita por Jimmy McDonough, em 2003.

O filme que desencavei pertence ao chamado período inglês de Milligan. Foi  na comunidade underground e gay do Village  que o diretor iniciou sua carreira .No fim da década de 60 o produtor William Mishkin recrutou-o pra uma série de filmes na Inglaterra. Aproveitando a estadia Andy realizou ao mesmo tempo vários filmes aproveitando sempre os mesmos atores e a equipe. No caso especifico desse filme o produtor exigiu que mais algumas cenas fossem inseridas posteriormente para aumentar a duração e por isso só em 1972 ele ganhou exibição comercial.
Orçamento irrisório, como sempre, de 18 mil dólares. Filmado em 16 mm, como quase todos os filmes da carreira dele.
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Já foi assinalado que toda a obra de Milligan é marcada por famílias disfuncionais, taras sexuais, sadismo, homossexualismo, deformidades físicas e genéticas. E aqui ele não deixa por menos e termos a família Mooney  sendo um poço de taras que faria as famílias do nosso Nelson  Rodrigues, por exemplo, parecerem uma família de seminaristas pudicos e recatados. Além de toda insanidade ela esconde um segredo terrível: devido a uma antiga maldição todos eles se transformam em lobisomens. A chegada da filha mais nova, trazendo um marido, é a esperança para o patriarca de curar essa maldição, entretanto nem tudo sairá como o patriarca desejava.

Como assinalei acima os filmes de Milligan não só podem assustar pelos temas, mas também pela forma que se abstrai de todas as regras do dito bom gosto cinematográfico. É, portanto, um desafio, fascinante, eu garanto. O filme pode ser encontrado no You Tube.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Missão Matar - 1972

Diretor bacana (pra usar uma gíria velha) este Alberto Pieralisi. Italiano de origem, veio pro Brasil a convite do consagrado diretor Alberto Cavalcanti e aqui acabou se fixando e construindo uma carreira cinematográfica de valor em diversos gêneros, foi um dos que ajudaram  a construir a Vera Cruz e a Maristela, e deixou 15 filmes para a posteridade, felizmente vários deles disponíveis. É dele, por exemplo, um dos raros exemplares de ficção cientifica que aqui foi realizado, o “Quinto Poder”, tido por muitos como um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, por gente como Carlos Reichenbach , o que não é pouca coisa. Alberto tinha mão boa para filmes de gênero e este que relembro envereda por um gênero igualmente raro entre nós: o filme de espionagem “a la 007”. O gênero teve grande voga entre os anos 60 e 70, mas aqui assim como outros gêneros despertou pouco interesse dos produtores. A ideia do filme surgiu de uma produtora americana e inicialmente o diretor baiano Roberto Pires foi convidado para a direção. Não aceitando o encargo indicou o italiano. A intenção dos produtores americanos e brasileiros, que se associaram ao projeto era criar um 007 brasileiro e que gerasse uma possível série. Infelizmente o público não correspondeu e nunca foi adiante a ideia. Uma pena porque Alberto realizou um exemplar decente e simpático do gênero “spy”. A canastrice charmosa de Meira se encaixa bem no papel do policial chique e classudo com o brasileiríssimo nome de José da Silva que nas horas vagas vive como playboy e que, além disso, atrai suspiros e outras coisitas mais de todas as mulheres que cruzam em seu caminho. A trama é boa: um assassino profissional chega de navio no RJ para matar um dos conferencistas de um congresso da OEA. Disfarçado de médico ele se hospeda com uma mulher, membro da quadrilha que o contratou, bem em frente ao local da cerimonia de abertura, local escolhido para o crime. A mão boa do diretor se revela  em algumas sequências  inspiradas. No elenco dois nomes internacionais: a s atrizes Eva Christian, alemã, e Yvette Buckingham, inglesa. As duas acabaram se fixando por aqui e ainda atuariam em outros filmes.Foi exibido nos cinemas no mesmo ano da superprodução patriótica Independência ou Morte.Baseado no romance  "Always Kills a Stranger" do americano Robert Fisch, que nos anos 60 morou no Rio e escreveu uma série de 10 livros tendo o detetive José da Silva como protagonista. O filme chegou a ganhar edição em VHS nos anos 80, egraças a isso pode ser encontrado em sites que vendem DVD-Rs de filmes raros nacionais.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Castelo das Taras Malditas - 1982

Comecei a escrever a crônica no mesmo dia que recebi a notícia do falecimento de Chico Cavalcanti, que sempre admirei e tive o prazer de relembrar um dos seus filmes. A ótima e, infelizmente ,falecida revista eletrônica Zingu, já escreveu sobre o filme que relembro. Na medida do possível  evito escrever sobre filmes já resenhados por outros, mas toda regra tem exceção, e como há muito tempo não  escrevo sobre um filme nacional, e este foi alias o último que vi, resolvi encara-lo.  Quase desnecessário dizer que ele é inédito em DVD, mas ao que tudo indica já teve edição em VHS nos anos 80, origem das cópias que podem ser encontradas na internet e em sites que vendem filmes raros. Realizado já na agonia da Boca, que nessa altura enveredava pelo sexo explicito. Foi o único filme dirigido Júlio Belvedere. Na Zingu pode se ler uma boa entrevista que ele concedeu. Sabe-se lá porque o seu nome não consta do Dicionário dos Filmes da Boca. Júlio conta em entrevista à citada Zingu que ganhou bastante dinheiro com ele já que o filme obteve excelente receita na bilheteria. Tara é uma palavra encontrada em pelo menos um terço dos títulos dos filmes da Boca, não? Registre-se que existe um filme com título praticamente idêntico lançado um ano depois por Roberto Mauro, notório picareta da Boca, com o título de “O Solar das Malditas” já com cenas de sexo explícito. Foi o último filme em que a atriz baiana Esmeralda Barros atuou. Ela teve uma carreira internacional na Itália de algum destaque em produções de gêneros variados tendo trabalhado em 10 longas. Aposentada e doente, pelas últimas informações vive atualmente no Rio de Janeiro, pobre e esquecida. Uma pena. É o único nome de algum destaque no elenco do filme, sendo que o produtor do filme e namorado, na época, da atriz faz o papel principal. É um filme típico da Boca, ou seja, mulheres desnudas em situações desnecessárias: pelo menos três longas cenas de banhos mostradas, absolutamente irrelevantes para a trama são apresentadas.  E dai? O diretor explicou na entrevista citada que foi exigência do produtor, situação comum.  O que o distingue é que se trata de um filme de gênero, no caso o terror, algo raríssimo no cinema nacional desde sempre. Para aqueles habituados com o eurocult italiano e espanhol  dos anos 70 a trama vai soar familiar. Uma professora e três alunas se abrigam em um castelo (?) para realizarem pesquisas com parapsicologia. O proprietário (e morador) era um pastor evangélico (?) e nao vai demorar muito a ser possuído pelo espírito do Marquês de Sade. Pior para as moças que são mortas de forma brutal. O filme tem muitos defeitos tais como atores fracos, à exceção da tarimbada Esmeralda, e a trilha sonora inadequada, mas não faria feio perto de algumas produções europeias dos anos 70 do mesmo gênero. Júlio frisou a precariedade da produção, mas a boa fotografia, bons momentos garantem o desenrolar do filme e a diversão. Alguma chance de uma boa cópia algum dia? Tomara que sim. Triste que praticamente nenhum filme da Boca tenha recebido edição decente em DVD.  E assim volto a Chico Cavalcanti que sai do mundo terreno sem ter nenhum filme  recebido edição decente em DVD.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Amores Prohibidos - 1976

Há dois anos comentei aqui neste espaço semimorto um filme mexicano “Las mariposas disecadas’, do qual gostei muito e teci elogios exaltados sobre ele. Era, não tenho muita certeza, o primeiro filme do país asteca que eu resenhava e fiz questão de ressaltar minha ignorância a respeito da história da cinematografia de lá, fazia questão  também de lembrar que era o único filme que tinha visto do diretor Sergio Vejar, e encerrava o texto ressaltando o detalhe de que hoje, nos tempos do politicamente correto, seria um filme impensável de ser realizado e exibido. Agora tempos depois me debruço sobre outro filme do diretor, e igualmente  para ele vale a observação anterior sobre a impossibilidade de sua realização e exibição nos tempos de agora. O outro, estrelado pela diva Silvia Pinal lidava com a pedofilia sob uma trama de terror e loucura. Agora o diretor muda de perversão : temos uma relação incestuosa entre dois irmãos,  e mais uma vez ,sob um fundo de mistério, terror e loucura. Ambos os filmes revelam um diretor talentoso  e visceral. Curiosamente pela extensa filmografia o que encontramos é o perfil de artesão antes de tudo, e que provavelmente (presunção minha) vez ou outra teve oportunidade de dirigir projetos mais pessoais como os dois citados. Um detalhe a conferir. Vale lembrar que ambos foram realizados em um curto espaço de tempo entre um e outro. O roteiro é do próprio diretor e ele avisa que foi baseado em um fato real. O cinema mexicano foi um dos mais criativos entre os anos 50 e 70, e como o nosso cinema brasileiro  teve uma decadência acentuada nos anos 80, mas vem se recuperado. Muitas outros paralelos entre as histórias cinematográficas mexicanas e brasileiras poderiam ser frisados, mas não vou me estender nesse tópico. Fiquemos neste bom filme, que se muitos consideram superior ao que resenhei anteriormente, eu, particularmente ,não compartilho dessa opinião, mas que fique bem claro, não significa que não o considere um ótimo filme. Tá explicado pois a  razão por ele estar sendo lembrado e resenhado aqui. Diante de tantos filmes que vi nesses dias achei que seria bom relembra-lo. Assim como "Las Mariposas Disecadas" citado , este é igualmente ambientado em espaço cerrado - uma mansão -, poucos personagens em cena, o que empresta ao filme uma  aura sufocante. Poderia dizer que a ação no interior dos personagens é tão especial quanto o que se desenrola no cotidiano de cada um deles. O que temos?  Um casal de irmãos, desde pequenos unidos pela tragédia da morte misteriosa da mãe – um suicídio, que o pai tratou de ocultar – e que encontram refúgio nos delírios em passeios a beira mar, e pouco a pouco vão caindo nos braços um do outro, literalmente. A vida adulta não  arrefece a relação dos dois, pelo contrário, ela se agrava e a insanidade adquire contornos mais mórbidos  e esquizoides. Mais uma vez o diretor auxiliado por esplendida fotografia realiza um belo trabalho narrativo, de mise-en-scène  quase onírica, com abuso de cores fortes e douradas. O filme foi lançado também com o título de “El Pacto”, que igualmente desvenda de que se trata o filme. Ele pode ser encontrado  aqui: http://cinemexicanodelgalletas.blogspot.com.br/2013/06/el-pacto-amores-prohibidos1967sin.html

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Delírio di Sangue - 1988

Um produto estranho no universo cinematográfico italiano dos anos 80  mergulhado nos thrillers eróticos epígonos do decadente giallo, espasmos de outros gêneros da exploitation, tão vibrante da década anterior.Sergio Bergonzelli, diretor desse filme que relembro, teve uma carreira longa e algo discreta no cinema italiano dos anos 60 e 70 com destaque para o insano “Nelle pieghi dele carne” de 1970 numa carreira  que conta com  28 filmes em gêneros variados  que foram do  eróticos, passando pelo  spaghetti nos anos 60 e as indefectíveis comédias eróticas. Saint Simon é um pintor que se acha a reencarnação de Van Gogh e vive isolado num castelo medieval. Para a matéria prima das tintas ele prefere o sangue humano, que o mordomo lhe fornece graças aos assassinatos brutais contra moças das redondezas.  Mas a  morte da esposa o deixa prostrado e sem inspiração. O encontro com uma pianista idêntica à falecida o deixa na certeza que ela seria a reencarnação da amada. Estamos em um filme e, portanto, a moça aceita o convite para uma visita ao castelo sem maiores  problemas e sequer se dá ao trabalho de avisar o namorado sonso.  Não tarda a sacar que se meteu numa roubada e que caiu num ninho de dois dementes. Bizarro, depravado, repulsivo, sórdido, “over”, ou simplesmente pretensioso e a beira do ridículo? Se pensarmos nele como um delírio ou pesadelo o filme faz algum sentido. E posso dizer que esta ambiguidade  que me atrai no filme a despeito de todas as irregularidades e furos de narrativa. O fato é que estamos diante de um híbrido inclassificável e inquietante. O espectador tem diante de si  história de amor louco com toques de necrofilia, ocasionais estupros e decapitações. Quase desnecessário dizer que estamos em mais um filme que não seria possível realizar hoje diante do politicamente correto que cerceia tudo atualmente. Um filme raro, inédito em DVD e que só sobrevive graças a uma cópia  ruim tirada de um VHS grego dublada em inglês. No elenco John Philippe Law, estrela de “Diabolik” e “Barbarella”, o veterano Gordon Mitchell e Barbara Christensen,  atriz dinamarquesa e ainda na ativa, podendo ser vista  no mais recente  filme do italiano Giuseppe Tornatore. O filme pode ser encontrado ainda no YouTube em cópia, infelizmente, sofrível, mas melhor que nada, enquanto esperamos o milagre do surgimento de uma edição decente e sem cortes .

terça-feira, 22 de julho de 2014

Valerie - 1957

Gerd Oswald é o tipo de diretor que dificilmente vai ganhar algum dia uma retrospectiva em cineclube, ou um livro dedicado à sua filmografia. No entanto alguns dos seus filmes continuam resistindo, vivos, digamos assim, graças às reedições em DVDs, exibições em canais pagos e até refilmagens. Alemão de origem, fez carreira em Hollywood, como tantos outros emigrantes que saíram da Alemanha na época da segunda guerra .O currículo inclui 40 filmes, mas boa parte foram trabalhos para a TV, sendo apenas 13 longas para o cinema. Lembrando que ele foi assistente de feras como Kazan, Wilder, Stevens entre outros. O filme que relembro é habitualmente classificado como um western, o que a rigor não dá uma boa ideia do que seria. Estamos diante de um drama “noir” ambientando em alguma cidadezinha da fronteira logo após o fim da guerra da secessão. Dois nomes de peso encabeçam o elenco: Sterling Hayden, o gigante de “Johnny Guitar”, e a voluptuosa sueca Anita Ekberg, aqui fazendo sua estreia em Hollywood.  Ele é um ex-combatente na guerra, onde exercia a função de arrancar as confissões dos prisioneiros mediante tortura, e que na vida  civil se torna um pacato fazendeiro e é abençoado com um casamento com a linda e doce Valerie(Anita Ekberg). Mas, logo o inferno da guerra parece recomeçar, dessa vez, de outra maneira, igualmente cruel e insana.  O inicio espetacular dá o tom do filme: três cavaleiros chegam a uma casa, dois deles apeiam com as armas em punho ( um deles nosso herói), entram, ouvimos tiros e gritos, e apenas um deles sai ferido. O ex-soldado, aparentemente, matara a tiros  os pais de Valerie a deixara entre a vida e a morte. Desse ponto em diante o filme segue uma narrativa que privilegia três pontos de vista diferentes sobre os motivos que levaram ao desfecho sangrento tendo como eixo a figura ambígua, sensual , doce, malévola ou angelical ? – o espectador pode escolher – de Valerie. Um pouco à maneira de “Rashomon” de Kurosawa, que mostrava um episódio sob o ponto de vista de vários personagens. O que fascina e perturba no filme são os ingredientes que temperam a tragédia: masoquismo, sadismo, estupro e adultério. Temas raros nos tempos do Código Hayes e tratados no filme com assombrosa naturalidade para os padrões da época, só possíveis seguramente no universo do cinema B. A atriz sueca nunca foi uma grande atriz, e não consegue sustentar  as diferentes facetas  da personagem, e isso prejudica o filme sem dúvida. Mas ela estava linda, e numa mulher bonita perdoamos tudo, e não custa lembrar que um das tarefas do cinema é mostrar a beleza da mulher, parafraseando um diretor francês da nouvelle vague. O terceiro personagem de importância capital no filme é da do reverendo e ele é interpretado por Anthonyy Steel, marido na vida real de Anita Ekberg. Algum tempo depois o diretor voltaria a trabalhar com ela no igualmente interessante “Screaming Mimi”. Em suma, um filme, em que pese alguns defeitos, digno de nota. O filme pode ser conferido no you tube: https://www.youtube.com/watch?v=2OzNlMA7JGg

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Fortress of the Dead - 1965

De volta após um hiato com este pequeno filme.Produção quase perdida no tempo, difícil  de encontrar, mas felizmente com  edição da Sinister Cinema e pode ser  encomendada  na Amazon.  Por aqui ,obviamente ,continua inédito. O  esforço pode valer  a pena  para aqueles que desejam conhecer um filme simples, eficiente e com alguma dose de inteligência. O espectador está diante de uma boa lição  de como criar um clima sufocante e de pesadelo quase sem recursos e efeitos especiais para contar uma boa e velha história de fantasmas. Mas  defini-lo no gênero terror  não é simples pois ele é também um drama psicológico de guerra e o  terror sutil e terrível é todo ele construído de ambiguidade ,atmosfera e sugestão. São apenas cinco atores em cena, movendo-se em um ambiente natural e  nenhum efeito além de alguns ruídos no escuro . E, no entanto deixa em nós ao final uma profunda  e triste impressão. John Hackett interpreta um ex-combatente da segunda guerra mundial que volta depois de vinte anos  ao local de seu grande trauma na vida:  em uma ilha das Filipinas causou involuntariamente , por covardia e medo, a morte de todos os seus amigos durante um combate contra os japoneses.  O peso das memórias o força a reencontrar seus fantasmas no cenário agora em ruínas de Corregidor. E ao chegar logo percebe: os fantasmas podem ser reais e cobram a dívida da velha atitude de covardia. Onde a redenção? Ferde Grofé  Jr fez carreira como  produtor e roteirista de produções insignificantes e este foi seu primeiro trabalho para o cinema. Foi realizado ao que tudo indica em 16mm, provavelmente na intenção de vende-lo para alguma televisão como um caso especial à maneira de “Além da Imaginação”, com o qual alguns observaram semelhanças  temáticas . Sua obra seguinte não justificou o talento demonstrado aqui ao que tudo indica e permanece, como este filme, obscura.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

The Brotherhood of Satan - 1971

Um dos bons filmes de cinema fantástico dos anos 70 e que teve finalmente seu valor reconhecido  ganhando edição em DVD na civilização. Confesso que o  tema satanismo em cidadezinha sulista não me entusiasmava muito e o deixei em stand by por um bom tempo, por esse motivo.  O fim da década de sessenta e até meados da década seguinte  recebeu uma enxurrada de filmes  que exploraram o tema sob variados ângulos e abordagens, alguns deles constituindo-se em autênticos blockbusters ( vide “O Exorcista” “e “A profecia”). Mas aqui o que temos é uma produção barata de um grande estúdio e dirigida por um especialista em faroestes para a TV: Bernard McEveety.  Combinação bastante improvável, mas deu  certo. A produção e o roteiro levou a assinatura de L.Q.Jones um dos atores favoritos de Sam  Peckinpah . Há um detalhe já mencionado por alguém , que não recordo o nome agora, de que vários atores do diretor de “Wild Bunch” participaram de filmes de terror na época. Coincidência curiosa. Falei de western e é interessante ressaltar  que o meu filme  tem uma estrutura narrativa que remete ao gênero. A cena em que os heróis do filme se refugiam na delegacia antes do ataque à confraria de bruxos é claramente inspirada em “Rio Bravo”. São detalhes como este , entre outros, que  o distinguem e o tiram da banalidade. É verdade que a trama costura diversas situações de outros filmes que lidaram antes com o tema de satanismo ou não: Impossível não se lembrar de “Bebe de Rosemary”, realizado algum tempo antes; “Aldeia dos maldiçoados”, o clássico inglês e a impossibilidade de escapar da cidade remete diretamente ao “Anjo Exterminador” de Buñuel. Um casal de namorados e uma menina, filha do homem , se perdem numa estrada e vão parar numa cidadezinha aterrorizada pelo desaparecimento de crianças e mortes misteriosas.. A primeira , e melhor, parte do filme deixa a nós espectadores e os  personagens incertos sobre o que realmente estaria ocorrendo. A cidade é o ponto de encontro de um bando de bruxos velhos que usam as crianças como instrumentos para seus fins diabólicos. O final é ambíguo e interessante. Para baixar tem um torrent:

http://kickass.to/the-brotherhood-of-satan-vhs-letterbox-1971-t4020643.html

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Los Placeres Ocultos - 1989

O  belíssimo título em espanhol sugere ao espectador uma  intensa carga erótica, por sua vez o título da versão americana (Playback)sugere  violência, vingança. Ambos, como veremos, estão certos: na receita temos sexo, perversões, vingança, violência. E o inicio já nos pega pela jugular pelo bizarro e selvageria: uma mulher bonita, de meia idade é atacada na porta do hospital onde trabalha  por um sujeito com mascara e boneca e levada a um local ermo  onde é estuprada, espancada e atirada deum barranco, só escapando porque ficou pendurada pela corda com quem o tarado a amarrou. A dama em questão é psiquiatra, e disposta a encontrar o maníaco logo suspeita que ele possa ser um dos seus pacientes. Descobre-o e o enreda numa teia  de joguinhos eróticos calientes : Um  plano de vingança meticuloso e insano pontuado por uma sarabanda de sexo “kinky”.Afinal não se cutuca uma representante da burguesia  bem casada e com família respeitável impunemente. Sonia Infante, bela atriz já quarentona, não se furta em exibir os atributos físicos nas  cenas sensuais. O final tem o esperado “twist” de roteiro. O filme emulava os tiques e cacoetes do famigerado thriller erótico, subgênero de origem italiana  que curiosamente encontraria terreno fértil no cinema americano mainstream culminando em “Instinto Selvagem”  de 92. A direção é do magnifico e prolífico Rene Cardona Jr, diretor de dezenas  tranqueiras clássicas da exploitation mexicana. A versão disponível é dublada em inglês . Alguma chance de existir uma versão original ainda mais caliente? Talvez.