sexta-feira, 23 de agosto de 2013
KIdnapped Coe - 1976
Frederick R. Friedel só deixou três
filmes na história do cinema B americano dos anos 70. Nada incomum se
lembrarmos de tantos outros malucos que só deixaram um ou dois filmes. Pequenos
realizadores regionais muito distantes do cinema padrão de Hollywood, Deve-se salientar que o diretor continua na
ativa ao contrário de tantos outros esquecidos e realizou seu último filme recentemente.
O que temos aqui? Vários pontos: um
precursor dos filmes de John Waters; uma exploitation sem nudez; uma love story
de amor incongruente; um road movie com toques surreais e de humor negro. Jack
Cannon é um bandido comum que rapta
Sandra(Leslie Rivers), uma mocinha feiosa e sem graça, quando ela saia da
pensão onde morava. Os planos de resgate não vão adiante, mas os dois acabam se
enrabichando. Pelas estradas do interior da Carolina o casal vai cruzando com
bandidos e malucos, esquisitices de toda sorte, até o final ambíguo e aberto. O diretor singelamente declarou que optou por isso pela simples
razão de que não havia mais dinheiro para as filmagens. A observação não é
minha, infelizmente: se este filme fosse francês seria saudado por muita gente
como uma obra-prima. Um bom exemplo da era de ouro da exploitation
americana dos anos 70, mas curiosamente sem nenhuma cena de nudez. Imperfeições
a parte, o filme se destaca pela direção vigorosa e uma fotografia criativa. Lição de como driblar inexistência de orçamento. O filme, felizmente ganhou boa
edição em DVD nos EUA, e salvo do limbo.
terça-feira, 23 de julho de 2013
Sexo, sexo e sexo -1984
Os títulos dos filmes de Chico são diretos, apelativos e provocam
ao máximo o espectador. Este promete muito, muito
sexo a julgar pelo título e o cartaz. Existe uma versão com sexo explicito, diga-se de
passagem. Vários dos seus filmes
realizados a partir da entrada do sexo explícito nos anos 80 passaram pelo dissabor de cenas de sexo hardcore inseridas quase sempre de
forma gratuita, e não poucas vezes protagonizadas por atores alheios às tramas.
Felizmente minha versão é a “normal”. Meu limite para determinado tipo de tosqueira não é dos maiores, confesso. Mas, claro que não deixo
de dar uma espiada nos sady babys da vida e Cia Ltda., sempre rola alguma surpresa
que garante a aventura. Se tiver que apontar meu diretor favorito na Boca este seria, sem nenhuma dúvida, Chico Cavalcanti.
Os adjetivos para os seus filmes sempre giram em torno dos adjetivos de tosco, rudimentar, primitivo e simples. Cinema
direto, despretensioso, e ingênuo sim. Chico nunca negou isso, O mais próximo do que o cinema da Boca
chegou do universo dito brega e cafona da canção popular brasileira dos anos
70, de Odair Jose, Fernando Mendes e tantos outros menosprezados e debochados
pela crítica oficial. Uma analogia com a poesia: um cruzamento entre Augusto dos Anjos e Casemiro de Abreu. Um cinema livre de quaisquer influencias externas, puramente
brasileiro na temática e no estilo. Cinema de comunicação direta com o
espectador. Puro instinto. Sempre
reafirmo que o cinema não tem que ser refém do teatro, da musica ou do romance, e muito menos da
televisão (Aí já e dose para leão, não? ). E a
obra de Chico é cinema vital, bruto e sólido. Este filme que relembro começa meio parecido com a obra-prima
“Noite do desejo” de Fauzi Mansur: dois desocupados marginais saem pela noite á
procura de uma farrinha, de zona em zona, de boate em boate, cada uma mais
vagabunda que a outra. Carlos e Nico são como tantas pessoas reais que iam
assistir aos filmes de Chico, pessoas pobres, sem perspectivas, condenados a viverem trabalhando quase como escravos em
troca de um salário miserável no inferno urbano da metrópole insana. Escapar a
essa sina só pelo crime. Tentam ,é claro
,o caminho honesto. Mas os dois se dão mal depois que um deles dá umas porradas
no chefe mala que flagrara fumando um baseado . E depois disso tem início para a dupla uma jornada de crimes medíocres, quase simplórios,
e por isso mesmo muito reais, que os deixará mais uma vez em outro beco sem saída, até que
conhecem duas putas em um dos muquifos que frequentavam, e essas lhe apresentam
um malandro arrumadinho. Aqui entra em
cena a presença sempre magnética de
Francisco di Franco, eterno Jerônimo, o herói do sertão, e que sobrevivia em produções da Boca nessa época. Um amigo
lembrou que ele morreu na miséria. Um absurdo, caso fosse americano teria fã-clube
e seria idolatrado até hoje, assim como Chico, é claro. O aumento do séquito de larápios dá ensejo ao
desejo de voos e golpes mais altos. Chico
Cavalcanti e o seu “Grande Golpe” Kubrickiano
,ou um Fuller tropical, sem glamour, muito próximo das ruas sujas do centro da
grande São Paulo, e sendo assim autêntico, original em sua poesia do desencanto
e da mediocridade. Infelizmente nenhum filme de Chico foi existe em DVD , mas
este e alguns outros felizmente volta e
meia são reprisados no Canal Brasil. Menos mal. Salve Chico Cavalcanti, mais um
herói do cinema brasileiro e da Boca.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Shock 'Em Dead - 1991
Confesso que só cheguei a este filme por causa da presença
de Traci Lords no elenco. Quatro anos depois do escândalo em que se envolveu quando
descobriram que atuava em filmes pornôs com idade inferior a 18 anos. De Lolita
do hardcore para rainha do filme B no final dos anos 80 e começo de 90.
Cinquentona, continua na ativa. O blog She Zine publicou um bom dossiê sobre
ela há um tempo e, portanto não vou me
estender em maiores detalhes. Para os tarados
um aviso: ela não aparece nua neste filme. Uma pena. Aliás, sua atuação aqui
neste filme é discreta. Além de Traci Lords temos no elenco
Stephen Quadros, no papel do roqueiro
demoníaco Angel, ex pizzamen nerd. Troy Donahue, astro dos anos 50 numa ponta.
Aldo Ray, figura carimbada em filmes B faz o papel do dono da pizzaria. A direção é de Mark Freed. Trata-se de uma comédia
de humor negro com alguns momentos de
gore. Não esperava nada do filme, e fiquei surpreso com ele.Divertido, insano, sem
medo de ser idiota, politicamente incorreto, trash até a medula. Uma banda de
metal pra lá de farofa – meio Poison, meio Motley Crue -, com um vocalista absurdamente
gay ( e que ficaria melhor como vocalista de uma banda new-wave), procura por
um guitarrista às vésperas do início de uma tournée. O nome da banda: Spastic Colon.Um nerd que
trabalha numa pizza se oferece para fazer um teste. Desastre total: o coitado
era inepto com a guitarra e é expulso e
ridicularizado sem dó e ainda perde o emprego na pizzaria. A sorte muda quando
aparece em seu caminho uma
sacerdotisa/feiticeira vodu- sim, isso mesmo, existem criaturas desse tipo nas
ruas de Los Angeles – e lhe oferece um singelo pacto com o coisa ruim, o Cujo,
O demo. Nunca se soube nos anais da literatura, do cinema ou da mitologia, de
alguém que tenha se dado bem com tal
acordo. As entrelinhas desses contratos costumam esconder clausulas para lá de
perigosas e funestas para os incautos. E
nesse filme não será diferente. A chamada do cartaz diz que “pela garota dos
seus sonhos ele faria um pacto com o diabo”, o que não corresponde à trama do
filme. Ele só cai de amores por Traci depois que já se tornara um guitar hero
de araque e tinha o mundo aos seus pés. O filme não fez feio perto das
produções da Troma, o que dependendo do ponto de vista pode ser uma advertência
para evita-lo a qualquer custo. A
guitarra foi dublada por Michel Angelo Batio e tem aquele estilo que consagrou
Joe Satriani, bem veloz e cheio de notas. Os vocais ficaram a cargo de Ricky
Livingstone. O filme foi lançado em VHS no Brasil com o título de “Magia Negra
no Rock”. Existe um link para download na net: http://depositfiles.org/files/2ya1lz1f4
( Possessed by Movies)
sábado, 15 de junho de 2013
Libidine - 1979
A zoofilia é tara velha, e o cinema já explorou aqui e ali. Nosso cinema pornô da Boca foi pródigo na exploração dela. Antes da onda do explicito Jean Garret fez o sensacional “Mulher, Mulher” que tinha a cena de Helena Ramos sendo lambida por um cavalo. Inolvidável. Os italianos fizeram o clássico “Bestialitá” em 1976, onde um cão fazia amor com uma mulher. Confesso que não aprecio muito essa corrente da exploitation, incluindo os filmes da Boca que investiram neste filão. Tem gente que gosta ou tem curiosidade a respeito, não? Mas vamos ao filme, sem dúvida um dos mais insanos e bizarros que explorou a zoofilia. O que temos aqui é um quê de horror, muito erotismo com cenas que beiram o explícito e até toques de giallo. Um cientista maluco faz experiências com serpentes em seu laboratório sonhando em criar um ser meio serpente meio homem, que segundo ele solucionaria o problema da fome no mundo! Imerso nessas preocupações profundas não esquenta a cabeça com a jovem esposa Carla(marina Hedman), uma frenética ninfomaníaca que passa boa parte do filme fazendo sexo com o mordomo ou com a empregada interpretada por Ajita Wilson, figura enigmática do cinema europeu dos anos 70. Homem ou mulher? Ao que tudo indica nasceu homem, fez uma operação para mudança do sexo e foi fazer filmes exploitation na Europa até morrer em um acidente. A dupla garante a voltagem erótica ao filme. A primeira, sueca de origem, teve longa carreira no cinema italiano, atuou em filmes pornográficos, e fez ponta em “Cidade das Mulheres” de Fellini. A impressão que tinha neste instante era mesmo de apenas mais um filme erótico italiano. Mas a filha do cientista retorna para casa depois de uma temporada em um colégio de freiras. OK, ela era virgem, mas às primeiras cenas em que aparece já fica nua e logo é assediada por todos na casa: pela madrasta, pelo criado e pelo assistente de laboratório do pai. A vingança pelo assédio vem na forma de uma serpente que o pai utilizava para os experimentos: um por um os tarados vão sendo mortos por ela. Entre o réptil e a virgem se estabelece uma relação de amor, que vai culminar com uma cena única no cinema, e que não contarei aqui, mas que garanto que é o ápice da zoofilia no cinema. Afinal não recordo de ter visto uma mulher fazer amor com uma serpente.O diretor Raniero di Giovanbattista, não teve carreira longa no cinema, com apenas quatro filmes assinalados pelo IMDB.A trilha do genial Stelvio Cipriani dispensa comentários. O filme até pouco era tido como raro e obscuro, não consegui, por exemplo, encontrar nenhum comentário e respeito dele, deu enfim as caras agora em sites e pode ser encontrado no Eurotorrents.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Thirsty for Love, Sex and Murder (Aska Susayanlar Seks Ve Cinayet )-1972
Minhas manias cinematográficas são muitas, ou paixões, para
usar um termo mais elevado. Algumas antigas, caso do giallo e do gótico
italiano, ou dos japas, outras relativamente recentes, caso do cinema turco dos
anos 60 e 70. A medida que vou descobrindo novos filmes nesse universo mais e
mais me entusiasmo. Este que relembro agora é um dos clássicos do período áureo
da explotation turca. O bom é que ele existe em versão legendada.
Infelizmente são muitos os filmes de lá que ainda permanecem inacessíveis pela
ausência de legendas. Confesso que não tenho muita paciência para assistir um
filme cuja língua não compreendo lhufas. Até faço download de um filme chinês, filipino , turco ou alemão quando vejo
que é muito interessante, e sempre pode um dia aparecer legendas para ele, mas
raramente assisto-o sem não consigo legendas. O título original em turco é "Aska susayanlar
seks ve cinayet". Como só conheço uma única palavra da língua, não fazia ideia
do que significaria este título. Verificando o Google pude constatar que o título
inglês é literal. Todos os blogs gringos que consultei assinalam que o filme é
uma cópia ou refilmagem de um giallo clássico de Sérgio Martino ”O estranho
Vício da Sra Ward”, que já assisti faz muito tempo e do qual não lembro muito.
Portanto nenhuma comparação posso fazer entre o suposto original e a cópia. Mas à exceção da língua falada pelos
personagens, de algumas paisagens, nada indicaria que o filme se passa na
Turquia. Não há nenhuma indicação religiosa, exotismo, os personagens se vestem
à maneira ocidental, bebem álcool, e
fazem muito sexo, e por isso há muita nudez feminina ao longo do filme. Este
detalhe é um aspecto que pode causar estranheza, considerando-se que o
islamismo é uma religião extremamente avessa ao erotismo, como de resto o
cristianismo também. Mas o fato é que o cinema turco daqueles tempos deitou e
rolou no quesito da sensualidade. A maré permissiva, no entanto duraria pouco,
e muitos filmes tiveram cópias destruídas pelos moralistas. Desnecessário dizer
que as novas gerações turcas praticamente ignoram essa linha da cinematografia
local. Nada muito diferente daqui com o cinema da Boca, objeto de desprezo e
deboche por nove entre dez cinéfilos canônicos. Lá imagino que seja a mesma
coisa. Tive uma amiga turca no Facebook, era apreciadora de cinema e nunca
tinha ouvido falar dos filmes desse tipo. O que encanta nos filmes turcos e
nesse fica bem evidente é a sensação de alucinação que perpassa por todo o
filme. Essa sensação é acentuada pelos ângulos inusitados de câmera, o ritmo
desconexo da trama e o erotismo exacerbado. Dir-se-ia uma viagem lisérgica,
onde nós espectadores somos convidados a adentrar em um pesadelo. Temos uma mulher casada, com um
sujeito impotente, e ela ao que parece foi estuprada por um sujeito. Mas foi
mesmo um estupro ou seria simplesmente
uma relação sadomasoquista? Ambiguidade. Como todo giallo que se preze a trama
não faz muito sentido se tomada ao pé da letra. O que importa no gênero é o
estilo sobre a substância, sempre. Aqui no caso um giallo com tempero otomano. Mehmet
Aslan, diretor prolífico na cinematografia turca assina a direção. No elenco nomes como Kadir Inanir,Meral Zeren,Eva
Bender,Yldirim Gencer. O filme pode ser encontrado no Eurotorrents e no
PirateBay também.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
La Tigresa- 1969
A paixão pelo cinema reserva a cada momento descobertas ou
redescobertas. Sempre fui movido pela curiosidade nessa paixão. Acho engraçado quando converso com amigos cinéfilos da minha
geração, da minha juventude, e vejo que todos, sem exceção continuam a gostar
dos mesmos filmes que assistíamos nos cineclubes, conservam as mesmas
admirações, e vários sequer conhecem o cinema posterior aos anos 90.
Desnecessário dizer que do passado, do cinema que lhes foi contemporâneo
desconhecem aquilo que naqueles tempos nos era desconhecido. Como disse, sempre
fui movido pela inquietude. Quando jovem assistia todos os filmes possíveis no
cinema ou na TV sem preocupação nenhuma com pretensões artísticas. Como
qualquer garoto da época adorava um faroeste, filmes de Tarzan, Santo, Zorro,
Hércules e os pepluns em geral, entre outros mais. As sessões domingueiras do
maravilhoso Cine Ipiranga inolvidáveis. Não sei por que, aliás, meu blog não se
chama Cine Ipiranga. Seria uma boa homenagem. O imóvel continua lá na Rua Jacuí
desafiando minha memória, mas agora, nada de cinema, apenas uma loja de móveis,
uma piada sem graça, quase um insulto, com meu passado. Cresci e descobri Fellini, Visconti, Godard, cinema novo, Buñuel, o cinema americano
clássico e por aí afora. Outro olhar sobre o cinema, política de autor, cinema
como arte, papos cabeças noite adentro sobre estética, escolas. Durante alguns
anos militância em cineclubes. O surgimento do VHS, e posteriormente do DVD ,
da TV à cabo, nos possibilitou descobrir o velho e o novo, mundos novos se
descortinaram para mim. E de certa maneira fechou-se um círculo, um retorno aos
tempos do Cine Ipiranga, um resgate. Longo introito para falar que a cada dia
ainda descubro filmes, cineastas, filmografias. Impossível abarcar tudo aqui no
blog, por exemplo. Seria ótimo criar blogs específicos apara cada paixão, mas teria que fazer um sobre cinema asiático(japas,
coreanos, indonésios, turcos, tailandeses e filipinos), outro sobre noir,
westerns, outro sobre exploitation, giallo, boca do lixo, cinema mexicano , a
lista é grande. Quedo-me quase paralisado, essa é a verdade. O filme que
relembro estava escondido há algum tempo numa pasta reservada ao cinema
mexicano, objeto de minha especial predileção.
Os astecas tiveram sua idade de ouro entre os anos 50 e
80, em todos os gêneros populares possíveis. Volto e meia assisto filmes que me
impressionam pela ousadia e alucinação. Não á toa o surrealismo foi uma
corrente artística que influenciou muito a arte e o cinema mexicanos. Bem, mas
o filme, para minha surpresa, não era
mexicano, e sim porto-riquenho. Confundi com um filme mexicano homônimo do
gigante René Cardona Jr, que infelizmente nunca encontrei. Um filme oriundo da
comunidade nuyorican , os hispanos de Porto Rico que imigraram para New York.
Uma cena cinematográfica breve e curiosa, do qual o filme que relembro é dos
mais significativos, e com uma vantagem: está fácil de encontrar no YouTube. Direção de
Glauco del Mar, realizador de cinco filmes apenas. Perla Faith é a jovem Patrícia
que sofre nas ruas do Spanish Harlem. Um grupo de mulheres, nadadoras e
lésbicas a maltrata todo o tempo. O pai é um bebum. O inferno da moça só piora:
o pai é morto num assalto e ela é estuprada. Menos mal que o patrão da loja
onde trabalhava, um velho judeu, morre pouco depois e lhe deixa toda a herança.
Da noite para o dia ela se torna
milionária. Repagina o visual, compra um clube noturno, e parte para a
vingança. A única pista do estuprador e assassino era uma marca nas costas. Com
a ajuda de um detetive , um gangster e um travesti - trio realmente absurdo - percorre as academias
e as ruas de NY em uma extravagante busca pelo suspeito. O policial chega, por exemplo, a se disfarçar de mulher para procurar o
criminoso, e em uma cena particularmente bizarra, fica sugerido que ele fez um
“programa” e recebeu dinheiro de um homem. As sequências em que ela revista os
homens seminus nas academias são outras dignas de nota no quesito bizarro. Um
filme, que merece uma conferida e vai agradar a quem aprecia um filme com
personagens estranhos e uma trama desconexa mas sedutora.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Return of the Dragon - 1974
Bruce Lee morreu prematuramente de uma maneira controversa deixando uma legião de imitadores no cinema asiático e
até em países europeus e sul americanos, gerando um subgênero da exploitation, a brucexploitation.
O filipino Ramon Zamora foi um dos muitos que surgiu na cola do dragão chinês
do kung-fu anos 70. Dublê, comediante e ator de renome no país quando decidiu a
se aventurar pelos filmes de artes
marciais. Quando eu era adolescente a febre do kung-fu varria o Brasil e o
mundo. Infelizmente naquela época não pude assistir aos filmes estrelados por
Bruce Lee e tinha que me contentar com a série de TV americana estrelada pelo
Carradine. Ironicamente assisti no
cinema somente a uma das inúmeras imitações, com um lutador de nome Bruce Li. Outra
roubada foi ir ao cinema e para ver um
filme do lutador e dar de cara com uma simples colagem de episódios da série de
TV Besouro Verde, que ele estrelou no papel de Kato, assistente do herói. O
tempo passou e me desinteressei de Bruce Lee e do gênero. Confesso que até hoje
mantenho o desinteresse por ambos, apesar da paixão pelo cinema asiático mais
“weirdo”. Atraem-me somente os filmes de arte marciais insanos, que misturam
terror ou outros gêneros, e os deliberadamente toscos, que não se levam muito a
sério. O filme que relembro tem direção
do venerável Celso Ad.Castillo, um dos gigantes do cinema filipino e asiático
na era de ouro. À vontade em gêneros diversos: drama, terror, artes marciais,
erótico. Pena que boa parte da sua filmografia seja inacessível para nós
ocidentais. Já abordei aqui há algum tempo atrás o cinema filipino, sem dúvida
dos mais interessantes dos anos 60 e 70.
Ilha pequena de cinematografia monumental, e que ainda continua a produzir
filmes com regularidade, apesar da decadência. Ramon Zamora ,como lembrei acima
,era humorista e certamente por isso seus filmes de artes marciais abusavam do
humor. Felizmente não é o caso aqui. O filme se leva a sério, na medida certa,
e não tem enxertos com o humor oriental,
sem dúvida a parte mais chata do cinema daquelas bandas, para atrapalhar. Se
passa ao largo das piadas mequetrefes a violência
mais delirante tem lugar cativo na trama. O herói - de nome Pylon- trucida um
bando inteiro de lutadores, mas também leva surras homéricas, é quase morto,
tem as mãos perfuradas por tiros e estacas, vê sua amada ser estuprada e assassinada,
e parte para uma sanguinolenta vingança. A estética do spaghetti italiano é marcante e
dá um toque especial ao conjunto: a trilha sonora, por exemplo, é claramente
decalcada dos temas de Ennio Morricone. Interessante pensar que o spaghetti bebeu na fonte oriental – os filmes de
samurais, especialmente- e acabaria influenciando os filmes de artes marciais
posteriormente. Para os interessados em
conhecer este precursor dos filmes de Tarantino a boa notícia é que ele tem
completo no Youtube, dublado em inglês.
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