sábado, 4 de fevereiro de 2012

Hollywood Boulveard - 1976


As origens de um filme surgir podem ser as mais estapafúrdias possíveis, e muitas dessas histórias -das suas origens-, dariam também filmes. Hollywood, principalmente, nunca se furtou a exibir seu universo interno, revelar um pouco dos seus truques, muitas vezes com doses de realismo impressionantes, vide ‘Sunse Boulevard”, “The Bad and the Beautiful”, de Minelli, “Day of Locust” de Schlesinger, para ficar entre tantos e tantos bons e maus exemplos. O universo do filme B , e da exploitation também mereceu algumas incursões. O exemplo mais famoso ,sem dúvida ,“Ed Wood” de Tim Burton. Mas o filme ,aqui dirigido a duas mãos por Allan Arkush e Joe Dante, foi outra reflexão e homenagem feliz a este universo maravilhoso. E a origem do filme ,per si ,daria outro filme talvez: ele nasceu de uma aposta do produtor Jon Davison ao diretor e produtor Roger Corman, de que seria capaz de produzir um filme com a quantia – irrisória para os padrões americanos – de 90.000 dólares . Nem o mestre do filme B que fez filmes com orçamentos absurdos nos anos 50 e 60, acreditava mais nesta possibilidade nos anos 70. Mas Joe foi adiante ganhando a aposta. O resultado foi uma homenagem, a mais divertida e sincera, que o grande Roger Corman poderia ter recebido em todos os tempos ,até então. A lourinha Candice Rialson ,no papel de uma aspirante a atriz chega a Hollywood e sai batendo de porta em porta a procura do seu sonho. Os resultados foram roupas rasgadas devido a testes do sofá mal concluídos e a frustração. Ao conhecer o agente picareta Walter Paisley – interpretado pelo ator fetiche de Roger, Dick Miller – e o nome é mesmo de um personagem de um filme “A Bucket of Blood” de Roger Corman, o universo do cinema parece se abrir finalmente para ela. E cai numa produção típica das exploitation dos anos 70,dirigida por um diretor também picareta(interpretado pelo diretor Paul Bartel):uma malfadada "fita vagabunda" nas Filipinas, onde uma dublê já havia morrido num acidente – e nossa mocinha vai justamente ocupar o posto da falecida. A estrela da companhia, a rainha dos Bs é interpretada por Mary Woronov, figuraça do cinema nos anos 60 e 70, e ela é uma atriz enciumada e nem um pouco empolgada com a chegada de novas atrizes dispostas a tirarem a roupa e realizarem cenas perigosas.

A trama do filme começa a ficar séria: algumas mortes de atrizes e membros da produção começam a acontecer , pelas mãos de um misterioso e mascarado assassino, homenagem óbvia e simpática aos “gialli” italianos. As piadas carinhosas com o universo B, sexploitation e exploitation pontuam cada sequência: para os fissurados como eu neste universo, uma delícia, e é quase impossível destacar uma Talvez as piadas com os filmes de ficção científica B, especialmente “Robot Monster “? . E podemos ver um personagem carregando nas mãos o básico livro “The Kings of Bs”, minha bíblia. Mas tem muito mais:cartazes, citações de frases reais de Corman e trechos de seus filmes , pontas de diretores, etc. Lembrando que Joe Dante realizaria outra homenagem a este universo com o filme “Matinê”, centrada na figura folclórica do diretor William Castle. Allan arkush dirigiria o clássico " Rock Roll High School" Ao que consta existe uma continuação que infelizmente ainda não conheço.

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